Economia

RS sobe cinco posições e chega ao 4º lugar no ranking nacional de competitividade

Eduardo Leite apresentou na Federasul os avanços do Estado na última década e apontou equilíbrio fiscal, crescimento, atração de pessoas e resiliência climática como desafios para manter a trajetória

Para o presidente da Federasul, Rodrigo Sousa Costa, os indicadores ajudam a dimensionar a qualidade do ambiente de negócios e o potencial gaúcho para receber novos investimentos

Orestes de Andrade Jr.

O Rio Grande do Sul chegou à quarta posição no Ranking de Competitividade dos Estados de 2026, avançando cinco lugares em relação a 2016, quando ocupava a nona colocação. Os resultados foram apresentados nesta quarta-feira, 9, durante o tradicional Tá na Mesa da Federasul, em Porto Alegre, com a participação do governador Eduardo Leite e da gerente de Relações Governamentais e Competitividade do Centro de Liderança Pública (CLP), Carla Marinho.

O ranking, elaborado pelo CLP em parceria com a Tendências Consultoria Integrada, compara os 26 estados e o Distrito Federal a partir de 100 indicadores distribuídos em dez pilares. A edição de 2026 colocou Santa Catarina na liderança nacional pela primeira vez, superando São Paulo, que ocupava o primeiro lugar desde o início da série histórica.

A evolução gaúcha aparece com força em diferentes áreas. O Estado alcançou o 1º lugar em eficiência da máquina pública e inovação, o 2º em segurança pública, o 4º em sustentabilidade social, o 5º em sustentabilidade ambiental, o 6º em capital humano e o 16º em infraestrutura.

Na comparação com 2016, alguns movimentos são expressivos. O RS passou do quarto para o primeiro lugar em eficiência da máquina pública; do segundo para o primeiro em inovação; do oitavo para o segundo em segurança pública; do 17º para o quinto em sustentabilidade ambiental; do 14º para o sexto em capital humano; e do 21º para o 16º em infraestrutura.

“Esse avanço é resultado de políticas públicas e de uma direção de governo que construímos ao lado do Gabriel Souza (@GabrielSouza_RS). Em relação ao equilíbrio fiscal, as reformas administrativa e da Previdência, junto ao controle das despesas obrigatórias, ajudaram a colocar as contas em dia, criando condições para ampliar investimentos”, disse Leite.

“Na educação, tivemos a maior evolução do IDEB entre os Estados e chegamos ao 1º lugar no desempenho médio do ENEM 2025 entre as redes estaduais. Na Segurança Pública, o RS alcançou o 2º lugar no ranking, acompanhado da redução expressiva dos indicadores de criminalidade. E somos líderes em inovação, enquanto avançamos também em sustentabilidade ambiental, com as ações de resiliência e reconstrução do Plano Rio Grande”, destacou o governador.

Leite aponta quatro desafios para o futuro

Ao apresentar o cenário gaúcho, Eduardo Leite não concentrou a exposição apenas nos avanços. O governador definiu quatro frentes que considera fundamentais para o Estado continuar evoluindo: equilíbrio fiscal permanente e enfrentamento dos passivos históricos; crescimento econômico e desenvolvimento social; atração e retenção de pessoas e negócios; e resiliência climática.

A questão fiscal permanece entre os principais obstáculos. O material apresentado mostra que, apesar das reformas realizadas nos últimos anos, o Rio Grande do Sul ainda convive com passivos significativamente superiores aos dos estados vizinhos.

Em 2025, a dívida do RS com a União estava em cerca de R$ 107 bilhões, enquanto o estoque de precatórios chegava a R$ 15,6 bilhões. Somadas, essas duas obrigações representavam 188% da Receita Corrente Líquida. Em Santa Catarina, a relação era de 30,9%, e no Paraná, de 27,5%.

“Mais do que comemorar uma posição no ranking, precisamos olhar para as evidências e usá-las para orientar as decisões. Reconhecer os enormes avanços que tivemos é também assumir a responsabilidade de preservar essas conquistas coletivas da sociedade gaúcha, enfrentar o que ainda precisa melhorar e fazer o Rio Grande do Sul seguir em frente”, apontou.

Controle dos gastos abriu espaço para investimentos

Um dos argumentos apresentados pelo governo para explicar a recuperação fiscal é a contenção das despesas de pessoal. Entre 2019 e 2025, o crescimento nominal dessas despesas no Rio Grande do Sul foi de 32,3%, o menor entre os estados. No mesmo período, a média nacional ficou em 66,3% e o IPCA acumulou 39,2%.

Segundo a apresentação, o controle da despesa de pessoal, combinado com recursos extraordinários, permitiu ampliar os investimentos. Em valores corrigidos pelo IPCA de 2025, os investimentos e inversões financeiras passaram de R$ 1,3 bilhão em 2020 para R$ 5,8 bilhões em 2025.

Economia cresce pouco, mas produtividade se destaca

Leite também chamou atenção para uma fragilidade estrutural: a economia gaúcha tem crescido abaixo de outros estados, embora apresente desempenho relativamente melhor quando considerada a produtividade.

Entre 2005 e 2023, o crescimento anual médio composto do PIB gaúcho foi de 1,5%, o menor entre os estados do Sul e Sudeste comparados na apresentação. Quando o indicador considera o PIB em relação à população potencialmente ativa, porém, o RS aparece com crescimento médio de 1,2%, na liderança do grupo analisado.

Uma das explicações apontadas é a forte exposição da economia gaúcha aos eventos climáticos e às quebras de safra. Desde 2003, o Estado enfrentou sete grandes estiagens — em 2004, 2005, 2012, 2020, 2022, 2023 e 2025 —, quatro delas apenas nos últimos seis anos.

Segundo os dados apresentados, com exceção dos estados do Nordeste, o Rio Grande do Sul é a unidade da Federação com maior incidência de estiagens e secas. O Noroeste gaúcho aparece entre as regiões brasileiras com maior variabilidade da produção em razão da recorrência desses fenômenos.

Irrigação como resposta à instabilidade climática

Nesse cenário, a ampliação da irrigação foi apresentada como instrumento para preservar e ampliar o potencial produtivo do Estado. Entre 2018 e 2024, áreas irrigadas apresentaram produtividade média 48% superior na soja, 101% no milho, 31% no fumo e 39% no feijão, na comparação com áreas não irrigadas. Em 2022, ano de estiagem severa, o ganho de produtividade chegou a 200%, segundo o levantamento apresentado pelo governo.

Educação avança

Na educação, o governador ainda destacou a expansão do Ensino Médio em Tempo Integral e da Educação Profissional e Tecnológica na rede estadual. O número passou de 18 escolas e 5 mil alunos em 2019 para 432 escolas e 50 mil estudantes em 2026. O RS aparece ainda em quinto lugar no ranking nacional do Ideb tanto nos anos finais quanto no ensino médio das redes estaduais.

Outro indicador destacado foi o Enem. A rede estadual gaúcha obteve 523 pontos de desempenho médio no Enem 2025, o maior resultado entre as redes estaduais do país, segundo os dados apresentados.

Rodovias ainda são um gargalo

Se inovação e gestão pública aparecem entre as fortalezas, a infraestrutura continua sendo uma das fragilidades. O Rio Grande do Sul ocupa apenas a 16ª posição no pilar de infraestrutura do ranking, apesar de ter avançado cinco colocações desde 2016.

Na comparação entre os três estados do Sul, o RS apresenta o pior estado geral das rodovias. Apenas 27% das estradas avaliadas foram classificadas como ótimas ou boas, enquanto 26,3% aparecem como ruins ou péssimas, segundo dados da Pesquisa CNT de Rodovias 2025 utilizados na apresentação.

Demografia entra na equação

Outro desafio estrutural é demográfico. As projeções apresentadas pelo governo indicam que o Rio Grande do Sul deve começar a perder população em 2027. Além disso, a participação da população potencialmente ativa, entre 16 e 64 anos, começou a cair em 2015.

Esse cenário ajuda a explicar por que atrair e reter pessoas e negócios aparece entre as quatro prioridades apontadas por Leite. Competitividade, nesse contexto, deixa de ser apenas uma disputa por posições em um ranking: envolve capacidade de oferecer ambiente econômico, infraestrutura, serviços públicos e qualidade de vida capazes de manter talentos e investimentos no Estado.

Para o presidente da Federasul, Rodrigo Sousa Costa, os indicadores ajudam a dimensionar a qualidade do ambiente de negócios e o potencial gaúcho para receber novos investimentos.

O salto da 9ª para a 4ª posição em uma década sintetiza uma melhora relevante do Rio Grande do Sul no ranking nacional. A própria apresentação do governo, entretanto, coloca a evolução em perspectiva: avançar agora depende de enfrentar problemas menos conjunturais e mais estruturais — dívida, demografia, infraestrutura, crescimento econômico e vulnerabilidade climática.

Da esquerda para a direita: Eduardo Fernandez, presidente do Conselho do LIDE RS e embaixador do CLP no Estado; o governador Eduardo Leite; o presidente da Federasul, Rodrigo Sousa Costa; e Carla Marinho, gerente de Relações Governamentais e Competitividade do CLP

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