Fotógrafo brasileiro registra como as expressões mudam após três taças de vinho
Projeto de Marcos Alberti fotografa participantes antes de beber e depois de uma, duas e três taças; série ganhou repercussão internacional e novas edições pelo mundo



Uma câmera, um fundo neutro, três taças de vinho e a mesma pessoa fotografada quatro vezes. A fórmula aparentemente simples deu origem a um projeto do fotógrafo brasileiro Marcos Alberti que ganhou repercussão internacional ao registrar mudanças nas expressões dos participantes ao longo de uma experiência com vinho.
Batizado de The Wine Project, e também conhecido pela expressão “3 Glasses Later”, o trabalho apresenta retratos feitos em quatro momentos: antes do consumo de vinho e depois da primeira, segunda e terceira taças. O efeito visual está justamente na comparação.
Nas primeiras fotografias, os participantes geralmente aparecem mais sérios, contidos e atentos à câmera. À medida que a sequência avança, surgem sorrisos, risadas, gestos e poses mais descontraídas. Na última imagem, muitos parecem praticamente ter esquecido que estão diante de um fotógrafo.
Não se trata de um experimento científico nem permite estabelecer conclusões sobre os efeitos do álcool no comportamento. É um projeto fotográfico e artístico, construído a partir da observação visual dos participantes.
Um brasileiro por trás das lentes
Marcos Alberti desenvolveu o projeto fotografando pessoas em diferentes contextos e posteriormente levou a ideia para outros países. A série ganhou circulação nas redes sociais justamente pela facilidade de compreensão: quatro imagens lado a lado contam uma pequena história sem necessidade de grandes explicações.
Em trabalhos posteriores, Alberti continuou utilizando a mesma linguagem. Registros publicados pelo fotógrafo mostram novas sessões do The Wine Project realizadas, por exemplo, em Nova York, mantendo a lógica dos retratos sucessivos acompanhados por taças de vinho.
As sequências revelam resultados bastante diferentes. Alguns participantes mudam pouco. Outros terminam a experiência sorrindo, fazendo caretas ou assumindo poses que dificilmente apareceriam no primeiro retrato.



A transformação registrada em quatro fotografias
O interesse do projeto está menos em quantificar o efeito de cada taça e mais em registrar fotograficamente a mudança de comportamento diante da câmera. No início, existe a consciência do retrato: postura, enquadramento, expressão e preocupação com a própria imagem. Depois, em muitas das sequências, essa rigidez diminui.
É justamente esse contraste que tornou o trabalho reconhecível: a primeira e a quarta fotografia parecem, às vezes, retratar duas versões comportamentais da mesma pessoa. O próprio formato funciona quase como uma narrativa. Em vez de tentar capturar um instante decisivo, Alberti registra uma progressão.
Vinho como elemento de interação
O projeto também explora uma característica cultural associada ao consumo de vinho: o tempo. Uma taça costuma ser consumida gradualmente, em um ambiente de conversa e interação. Assim, as fotografias não registram apenas o consumo da bebida, mas diferentes momentos de uma experiência social.
Isso ajuda a explicar por que as imagens despertaram tanta identificação nas redes sociais. O público reconhece nas sequências algo familiar: pessoas inicialmente preocupadas com a câmera que, algum tempo depois, aparecem mais espontâneas.
Há, entretanto, uma distinção importante. As fotografias não demonstram que o vinho torna alguém mais feliz, sociável ou autêntico, nem constituem evidência científica sobre personalidade ou comportamento. Elas documentam as expressões daqueles participantes específicos naquele contexto. E talvez esteja justamente aí a força do trabalho.
Marcos Alberti não precisou explicar o que aconteceu entre uma fotografia e outra. Colocou quatro retratos lado a lado e deixou que as imagens contassem a história. No The Wine Project, três taças separam o primeiro retrato do último. Entre eles, a câmera registra algo difícil de medir, mas muito fácil de enxergar.







