Braskem pede recuperação extrajudicial para reestruturar dívida de US$ 10,9 bilhões
Petroquímica busca proteção para negociar cerca de R$ 56 bilhões em obrigações financeiras; empresa afirma que medida não afeta fornecedores, clientes e operações

A Braskem avançou nesta segunda-feira, 24, com um pedido de recuperação extrajudicial para reestruturar aproximadamente US$ 10,9 bilhões em dívidas, o equivalente a cerca de R$ 56 bilhões.
O Conselho de Administração da petroquímica aprovou o ajuizamento do processo, segundo fato relevante divulgado ao mercado. A companhia informou que o objetivo é criar um ambiente jurídico protegido para negociar e implementar a reestruturação de suas obrigações financeiras. A imprensa também confirmou que o pedido foi protocolado na Justiça de São Paulo.
A recuperação extrajudicial terá escopo exclusivamente financeiro, de acordo com a Braskem. A empresa afirma que compromissos com fornecedores, clientes e demais parceiros comerciais permanecem vigentes e devem continuar sendo cumpridos normalmente.
Prazo com credores chegou ao fim
O movimento ocorre justamente quando termina o período de 60 dias de proteção contra execuções de credores obtido anteriormente pela companhia.
Durante esse intervalo, a Braskem negociava uma reestruturação de sua dívida com bancos e detentores de títulos. Sem um acordo definitivo até o fim do prazo, a recuperação extrajudicial passou a ser o caminho adotado para manter as negociações sob proteção jurídica.
O mecanismo permite que uma empresa negocie diretamente com seus credores e posteriormente submeta um plano à Justiça para homologação. Diferentemente da recuperação judicial tradicional, tende a envolver um grupo mais restrito de obrigações e menor interferência judicial na operação da companhia.
Pressão financeira aumentou
A situação da Braskem combina diferentes fatores.
O setor petroquímico atravessa um período de excesso de oferta global, redução das margens e demanda enfraquecida, cenário que pressiona a geração de caixa das empresas.
Ao mesmo tempo, a Braskem enfrenta um elevado nível de endividamento. A companhia chegou ao segundo trimestre de 2026 com dívida líquida de aproximadamente US$ 9,4 bilhões, mesmo após apresentar melhora nos resultados operacionais.
As agências de classificação de risco também ampliaram os alertas. A Fitch rebaixou recentemente a nota de crédito da empresa após o não pagamento de juros de determinadas obrigações financeiras e classificou a companhia em situação de inadimplência restrita.
A alta dos juros no Brasil e a exposição de parte relevante das dívidas a moedas estrangeiras também aumentaram o custo financeiro da empresa.
Caso de Alagoas pesa sobre a companhia
Outro componente importante da crise financeira é o passivo associado à exploração de sal-gema em Maceió, em Alagoas.
O afundamento do solo em bairros da capital alagoana provocou uma das maiores crises socioambientais urbanas do país, obrigando milhares de moradores a deixarem suas casas e gerando bilhões de reais em provisões, indenizações e despesas para a Braskem.
O episódio segue produzindo impactos financeiros, jurídicos e reputacionais para a petroquímica.
Subsidiária mexicana também entrou em recuperação
A decisão no Brasil acontece poucos dias depois de a Braskem Idesa, joint venture da companhia brasileira com o Grupo Idesa, do México, ingressar com pedido de proteção judicial nos Estados Unidos por meio do Chapter 11.
O processo mexicano busca reduzir e reorganizar uma dívida de aproximadamente US$ 2,5 bilhões. Dentro da operação, a Braskem se comprometeu a realizar um aporte de US$ 476 milhões para manter o controle majoritário da subsidiária.
A recuperação extrajudicial brasileira, entretanto, é independente do processo da Braskem Idesa.
O que acontece agora
Com a recuperação extrajudicial, a Braskem ganha espaço para continuar negociando com seus principais credores uma nova estrutura para suas dívidas.
O desafio será construir um acordo capaz de alongar vencimentos, reduzir a pressão sobre o caixa e dar sustentabilidade financeira à companhia em um momento particularmente difícil para o setor petroquímico.
Apesar da dimensão do passivo, a empresa reforça que suas operações continuam normalmente e que o processo não inclui obrigações comerciais com fornecedores e clientes.

