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Todo dia morre uma IA e todo dia nasce outra

O futuro não será de quem gritar primeiro diante da novidade. Será de quem transformar inteligência artificial em decisão melhor, processo mais limpo e resultado mensurável.

Orestes de Andrade Jr. | @orestesdeandradejr@gmail.com
Jornalista, Consultor e Gestor em Inteligência Artificial Certificado pelo MEC

Todo dia aparece no Instagram uma IA “definitiva”. Ela matou o ChatGPT, enterrou o Canva, aposentou o Google, demitiu o designer e acabou com a agência. Curioso que para um setor que morre toda semana, a inteligência artificial continua muito viva.

O truque é velho: transformar atualização de produto em terremoto civilizatório. Um botão novo vira revolução. Uma interface melhor vira ameaça existencial. Um ganho específico vira fim de tudo.

Esse é o negócio. Não é tecnologia. É a sua insegurança servida em fundo preto com letra amarela. O guru não ganha quando você usa bem uma ferramenta. Ele ganha quando você abre o próximo vídeo com medo de estar ficando para trás. O produto é o seu FOMO — e esse produto nunca sai de moda porque o próximo lançamento está sempre chegando.

A pergunta que ninguém faz é a mais óbvia: se uma IA “mata” a outra toda semana faz dois anos, por que todas ainda estão aqui? O ChatGPT não morreu. O Claude não morreu. O Gemini não morreu. O que some, silenciosamente, são as ferramentas milagrosas que ninguém mais menciona três semanas depois. O cemitério de IAs revolucionárias é enorme. Os túmulos são posts que ninguém revisita.

O maior risco não é ficar de fora. É entrar errado, sem planejamento, sem clareza sobre o problema, sem governança dos dados. Times empolgados começam pela tecnologia, não pelo problema. Resultado: ferramenta sofisticada resolvendo dor que não existe. Qual processo está travando o seu negócio? A tecnologia certa vem depois dessa resposta. Nunca antes.

O amador coleciona plataformas. O profissional constrói método.

A IA avança rápido, isso é real. Mas ninguém ganha competitividade só por abrir conta em mais uma ferramenta bonita. Ganha quem sabe separar automação e inovação reais de pirotecnia.

Na segunda que vem haverá outra IA “definitiva”, com a urgência de sempre e a profundidade de um panfleto. Mas a maturidade começa quando você para de correr atrás do clarão e passa a procurar a energia. O futuro não será de quem gritar primeiro diante da novidade. Será de quem transformar inteligência artificial em decisão melhor, processo mais limpo e resultado mensurável.

O resto é neblina de algoritmo: aparece no feed como revelação e desaparece antes de virar trabalho de

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