Empreendedor gaúcho cria “neto digital” com IA para ensinar idosos a usar tecnologia e evitar golpes
Criador do Neto Digital, Paulo Gil contou pela primeira vez no Poder RS Inovação como surgiu o negócio, que usa um assistente de inteligência artificial pelo WhatsApp para ajudar pessoas com mais de 60 anos

O empreendedor gaúcho Paulo Gil criou um serviço de inteligência artificial voltado a um público que cresce rapidamente no ambiente digital, mas ainda enfrenta dificuldades para utilizar a tecnologia com autonomia: pessoas com mais de 60 anos.
Batizado de Neto Digital, o negócio funciona pelo WhatsApp e utiliza um assistente de IA chamado Téo para ensinar tarefas do dia a dia, como utilizar melhor o celular, fazer chamadas de vídeo, operar serviços bancários com mais segurança e até aprender a usar ferramentas como o ChatGPT.
A história da criação do negócio foi contada pela primeira vez por Paulo Gil em entrevista ao Poder RS Inovação.
A proposta nasceu da percepção de que boa parte dos idosos já possui smartphone e utiliza aplicativos de mensagem, mas ainda depende de filhos, netos ou outras pessoas próximas para resolver dúvidas relativamente simples. O objetivo do Téo é assumir parte desse papel.
Em vez de exigir que o usuário instale um novo aplicativo ou aprenda a utilizar outra plataforma, o assistente funciona diretamente pelo WhatsApp. As orientações são apresentadas passo a passo e podem ser repetidas quantas vezes forem necessárias.
Segundo Paulo Gil, a principal característica do sistema é justamente a capacidade de ensinar sem pressa. “O celular e o WhatsApp já estão na mão dos nossos pais e avós. O que falta não é acesso, é alguém com paciência para ensinar”, afirma.
Mais idosos conectados, mas ainda com dificuldades
O serviço surge em um momento de crescimento acelerado do uso da internet entre a população mais velha. Dados da Pnad Contínua, do IBGE, indicam que 74,5% dos brasileiros com 60 anos ou mais utilizaram a internet em 2025, faixa etária que apresentou um dos maiores avanços recentes no acesso digital.
O aumento da conexão, entretanto, não significa necessariamente domínio das ferramentas. Entre as principais dificuldades estão a utilização de aplicativos, configurações do aparelho, operações bancárias, senhas, videochamadas e identificação de mensagens suspeitas. É justamente nesse último ponto que o Neto Digital também pretende atuar.
Segurança contra golpes é uma das prioridades
Além de ensinar funções básicas do celular, o sistema orienta os usuários sobre segurança digital e prevenção a golpes. A preocupação não é secundária. Pessoas idosas estão entre os públicos frequentemente abordados em fraudes que envolvem falsas mensagens de bancos, links maliciosos, pedidos de dinheiro, clonagem de contas e engenharia social.
Para Paulo Gil, aumentar a autonomia tecnológica também significa reduzir a vulnerabilidade financeira. “Ensinar a reconhecer golpes é proteger financeiramente uma população que hoje está muito exposta aos criminosos digitais”, afirma.
O assistente pode ser utilizado para esclarecer dúvidas sobre mensagens recebidas, orientar procedimentos básicos de segurança e explicar, em linguagem simples, situações que poderiam representar risco.
Serviço pode ser contratado pelos próprios familiares
O Neto Digital funciona por assinatura mensal de R$ 39,90, sem fidelidade. Uma das possibilidades previstas no modelo é que filhos ou outros familiares façam a contratação para pais e avós, especialmente quando moram em cidades diferentes e não conseguem prestar suporte presencialmente.
Depois da ativação, o usuário precisa apenas salvar o contato no WhatsApp e iniciar uma conversa. A proposta é reduzir ao máximo a barreira tecnológica justamente para quem já encontra dificuldade em lidar com novos aplicativos.
Do empreendedorismo à inteligência artificial
Paulo Gil já tem trajetória ligada à criação de negócios digitais e tecnologia. No Poder RS Inovação, ele detalhou como surgiu a ideia do Neto Digital e como a inteligência artificial permitiu desenvolver rapidamente um serviço direcionado a um problema cotidiano.
O caso também mostra uma mudança importante na aplicação da IA. Enquanto boa parte da discussão sobre inteligência artificial está concentrada em produtividade empresarial, automação e substituição de tarefas, o Neto Digital aposta em outro caminho: usar a tecnologia como uma espécie de ponte entre gerações.
Em vez de exigir que o idoso se adapte à inteligência artificial, a ideia é fazer a inteligência artificial se adaptar à forma como ele já se comunica.
▶️ Veja a entrevista completa com Paulo Gil no Poder RS Inovação, no YouTube ou no Spotify.

