Agro

Farsul diz que solução para dívida rural alcança menos de 15% dos contratos

Domingos Velho afirma que medida adotada pelo governo federal tem baixa abrangência e defende mudanças para permitir renegociação das dívidas dos produtores

Orestes de Andrade Jr.

A solução apresentada pelo governo federal para enfrentar o endividamento dos produtores rurais tem alcançado menos de 15% dos contratos analisados, segundo o presidente da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul), Domingos Velho. A avaliação foi feita em entrevista ao Poder RS durante a Expointer 2026, em Esteio. Segundo Velho, a entidade acompanha o problema desde maio de 2024, após as grandes enchentes, que agravaram dificuldades acumuladas com as estiagens enfrentadas desde a safra de 2020.

O presidente da Farsul afirmou que havia sido construída no Congresso uma alternativa para alongamento das dívidas e enquadramento dos produtores que efetivamente necessitavam de suporte. Posteriormente, porém, o governo federal apresentou uma medida provisória com a proposta de enfrentar o problema.

Na avaliação da entidade, o resultado ficou aquém do necessário. “Na prática, nós estamos rodando os contratos. Menos de quinze por cento dos contratos são elegíveis e encontram enquadramento”, afirmou Velho. Segundo ele, o baixo alcance ocorre desde a agricultura familiar até a agricultura empresarial. Para o dirigente, o percentual demonstra a ineficácia da solução adotada.

Farsul busca mudanças
A entidade trabalha agora com duas possibilidades para ampliar o número de produtores atendidos. A primeira seria uma nova medida provisória. A segunda, alterações no Congresso por meio da comissão mista formada para analisar a matéria.

Velho relatou que a Farsul apresentou os dados ao governo federal e que também houve reunião da comissão mista durante a Expointer. Segundo ele, houve entendimento entre representantes do governo e da Frente Parlamentar da Agricultura sobre a necessidade de aperfeiçoar a medida.

O presidente da Farsul afirmou que a entidade já alertava para a baixa abrangência da solução antes mesmo de sua implementação e defendeu atuação conjunta entre parlamentares ligados ao setor e a base do governo federal para encontrar uma saída.

Crítica à ausência de Lula
Durante a entrevista, Velho também voltou a criticar a ausência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do vice-presidente Geraldo Alckmin na abertura oficial da Expointer. Para o presidente da Farsul, a importância do agronegócio para o desempenho da economia brasileira justificaria a presença do presidente da República na feira.

Apesar da crítica, Velho defendeu diálogo com o governo federal. Questionado pelo Poder RS sobre o que diria a Lula caso estivesse diante do presidente, respondeu: “Presidente, vamos trabalhar junto na construção de soluções coletivas.”

Segundo Velho, o Brasil tem oportunidades como potência alimentar, energética, ambiental e de biocombustíveis, mas precisa de estratégia, segurança jurídica e diálogo para transformar esse potencial em investimentos.

No balanço da Expointer feito antes do encerramento da feira, o dirigente destacou o desempenho da agricultura familiar e das vendas de veículos, mas apontou redução nas vendas de máquinas e implementos em razão do endividamento e das restrições de crédito.

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