Agro

Ministro da Agricultura abre agenda oficial no RS com visita à Estância das Oliveiras em Viamão

André de Paula levou a Viamão uma ampla comitiva da cúpula do MAPA, percorreu olivais, conheceu o lagar e entregou à família Goelzer os dez reconhecimentos conquistados em Londres

Uma propriedade familiar de Viamão que, há cerca de 25 anos, começou a plantar oliveiras com o propósito de produzir azeite para a própria família foi o ponto de partida da agenda oficial do ministro da Agricultura e Pecuária no Rio Grande do Sul nesta quarta-feira, 2.

André de Paula abriu sua programação no Estado na Estância das Oliveiras e realizou uma imersão no mundo da olivocultura de classe mundial. Acompanhado por uma ampla comitiva da cúpula do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), o ministro percorreu os olivais, conheceu pesquisas desenvolvidas na propriedade, visitou o lagar, degustou os azeites e encerrou a programação com a entrega oficial dos reconhecimentos conquistados pela Estância em Londres.

Ao lado do ministro estavam o secretário-executivo do MAPA, Cleber Soares; o secretário de Defesa Agropecuária, Carlos Goulart; o secretário de Comércio e Relações Internacionais, Augusto Billi; o secretário-adjunto de Política Agrícola, Wilson Vaz; e o superintendente Federal de Agricultura e Pecuária no Rio Grande do Sul, José Cleber. Também participaram da visita o presidente do Instituto Brasileiro de Olivicultura (Ibraoliva), Flávio Obino Filho; o secretário-geral de Governo de Viamão, Túlio Barbosa, além de outras autoridades e representantes do setor.

A composição da comitiva deu ao encontro uma dimensão que foi além de uma visita institucional. Reuniu, em uma propriedade familiar de Viamão, algumas das principais áreas do Ministério responsáveis pela política agrícola, defesa agropecuária e inserção internacional do agronegócio brasileiro, justamente para conhecer uma produção gaúcha que, em poucos anos, alcançou projeção mundial.

De Viamão para o mundo
A Estância das Oliveiras já ultrapassou 500 premiações desde o lançamento de seu primeiro azeite ao mercado em 2019, apenas na safra 2026 já conquistou para o Brasil mais de 180 reconhecimentos internacionais nos mais renomados e disputados Concursos Mundiais de Azeites nos 5 continentes. A trajetória consolidou a Estância como produtora do azeite mais premiado do Brasil e levou a marca gaúcha à 3ª posição entre as marcas de azeite de oliva mais premiadas do mundo, segundo o EVOO World Ranking 2025.

O resultado ganha ainda mais dimensão pela velocidade dessa trajetória. Embora as primeiras oliveiras tenham sido plantadas há aproximadamente 25 anos, a primeira safra comercial chegou ao mercado somente em 2019. Em poucos anos, azeites produzidos em Viamão passaram a competir e ser reconhecidos ao lado de produtos de Itália, Espanha, Portugal, Grécia, Turquia e outros países com séculos de tradição na olivicultura.

Durante a visita, o ministro e os secretários puderam degustar alguns dos azeites mais premiados da Estância e conhecer os resultados alcançados pela propriedade no Brasil e no exterior. Entre oliveiras em floração Mais do que conhecer números e medalhas, André de Paula percorreu o caminho de onde esses resultados começam.

Conduzido por André Goelzer, mestre de lagar da Estância das Oliveiras, o ministro realizou uma caminhada pelos olivais justamente em um dos momentos mais sensíveis do ciclo produtivo: o início da floração das oliveiras. É neste período que começa a ser definido o potencial da próxima safra, com as flores que posteriormente poderão dar origem aos frutos.

A comitiva também conheceu áreas onde a Estância desenvolve pesquisas relacionadas à polinização dos olivais com abelhas nativas brasileiras sem ferrão, aproximando produção agrícola, biodiversidade e pesquisa. Dos olivais, a comitiva seguiu para o lagar, onde conheceu o processo utilizado pela Estância para transformar as olivas colhidas na propriedade nos azeites que vêm acumulando reconhecimentos internacionais.

Tradição gaúcha à mesa
A recepção à comitiva começou com outra expressão do campo gaúcho. A família Goelzer recebeu o ministro e demais convidados para um almoço preparado em fogo de chão, com cordeiro inteiro, costelão e linguiças artesanais elaboradas com folhas de oliveira, tudo acompanhado pelos azeites produzidos na própria Estância. À mesa, encontraram-se duas expressões do Rio Grande do Sul: a tradição do fogo e do churrasco e uma olivicultura muito mais jovem, que começa a projetar internacionalmente uma nova face da produção agrícola gaúcha. “Não podia ser mais oportuna nossa visita, o que vemos na Estância das Oliveiras é exatamente o atestado que o mundo todo atribui à qualidade dos produtos que esta família produz aqui em Viamão no RS. Saio extremamente orgulhoso da força dos nossos produtores, da capacidade e da qualidade dos nossos produtos”, declarou o Ministro André de Paula.

De Viamão a Londres. De Londres a Viamão.
O momento de maior simbolismo da visita ocorreu ao final da programação. André de Paula e o secretário-executivo Cleber Soares fizeram a entrega oficial à família Goelzer dos dez reconhecimentos conquistados pela Estância das Oliveiras no London International Olive Oil Competition 2026. A cerimônia completou um percurso iniciado a milhares de quilômetros do Rio Grande do Sul. Em Londres, o Ministério da Agricultura e Pecuária representou oficialmente a Estância das Oliveiras na cerimônia de premiação, com a participação de Cleber Soares e da representação agrícola brasileira no Reino Unido, recebendo os reconhecimentos em nome da produtora gaúcha.

Agora, Cleber retornou a Viamão ao lado do próprio ministro da Agricultura para entregar à família os reconhecimentos recebidos em Londres. Foram dez medalhas: duas Platinas, sete Ouros e uma Prata. Na competição londrina, a Platina representa uma distinção superior ao Ouro.

Diante das autoridades, receberam os certificados Lucídio e Sônia Goelzer e os filhos André, Rafael e Lucas Goelzer. A imagem reuniu os diferentes pontos de uma mesma trajetória: a família que produziu os azeites em Viamão, o Ministério que a representou em Londres e os reconhecimentos internacionais que retornaram ao lugar onde tudo começou.

“Continuamos sendo a mesma família”
Para Lucídio Morsch Goelzer, fundador da Estância das Oliveiras, a dimensão do momento estava justamente no contraste com a simplicidade de sua origem. “Quando plantei as primeiras oliveiras, há cerca de 25 anos, queria apenas produzir um azeite honesto para colocar na mesa da nossa família. Nunca imaginamos medalhas, Londres ou que um dia receberíamos aqui o ministro da Agricultura do Brasil. Ver hoje minha esposa e meus filhos ao meu lado, recebendo esses reconhecimentos que nasceram do nosso trabalho em Viamão, atravessaram o oceano e voltaram para casa pelas mãos do ministro, foi muito emocionante. Recebemos tudo isso com gratidão e humildade. No fundo, continuamos sendo a mesma família, tentando fazer, todos os dias, o melhor e mais honesto azeite que conseguirmos.”

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