PL dobra bancada, lidera representação gaúcha e redesenha força do RS na Câmara
Partido elege oito dos 31 deputados federais do Estado; Maurício Marcon lidera votação, PT fica com cinco cadeiras e 21 parlamentares conseguem a reeleição
A eleição deste domingo, 4, produziu uma mudança relevante na representação do Rio Grande do Sul na Câmara dos Deputados. Com 100% das urnas apuradas, o PL elegeu oito dos 31 deputados federais gaúchos, tornando-se isoladamente a maior bancada do Estado em Brasília. O partido dobrou o resultado de 2022, quando havia conquistado quatro cadeiras. O deputado Maurício Marcon (PL) foi o mais votado do Rio Grande do Sul, com 379.834 votos, seguido por Fernanda Melchionna (PSOL), com 280.262, e Giovani Cherini (PL), com 234.171.
O crescimento do PL acompanha o desempenho do partido nas demais disputas gaúchas. Além de Luciano Zucco ter sido eleito governador no primeiro turno e Ubiratan Sanderson conquistar uma das vagas ao Senado, a sigla passa a controlar mais de um quarto das cadeiras destinadas ao Rio Grande do Sul na Câmara. O PT ficou com cinco deputados, a segunda maior bancada individual, enquanto o PP elegeu quatro e o MDB, três. Podemos, PSD e Republicanos ficaram com duas cadeiras cada. PSOL, PCdoB, Novo, PDT e União Brasil completam a representação, com um deputado cada.
A comparação com 2022 mostra uma redistribuição expressiva de forças. Naquele pleito, além das quatro vagas do PL, três deputados haviam sido eleitos pela federação PSDB-Cidadania e um pelo PSB — grupos que agora deixam de ter representantes gaúchos eleitos para a Câmara. O PP avançou de três para quatro cadeiras, enquanto PSD e Podemos passaram de uma para duas cada. O Republicanos caiu de três para duas e o PDT, de duas para uma. A fotografia partidária, porém, precisa considerar as mudanças de legenda ocorridas ao longo dos últimos quatro anos: vários nomes que aparecem agora nas novas bancadas disputaram a eleição anterior por partidos diferentes.
A nova delegação gaúcha também terá forte continuidade. Dos 31 eleitos, 21 foram reeleitos, enquanto dez ocuparão as demais cadeiras sem a condição de reeleitos nesta disputa. Apenas cinco mulheres foram eleitas, o equivalente a pouco mais de 16% da bancada. O resultado de 2026 reforça, sobretudo, uma concentração da representação gaúcha em torno de PL, PT, PP e MDB: juntos, os quatro partidos ocuparão 20 das 31 cadeiras do Estado na Câmara.
Politicamente, a bancada federal adiciona outra peça ao novo desenho de poder produzido pelas urnas no Rio Grande do Sul. O governador eleito Luciano Zucco terá, a partir de 2027, oito correligionários gaúchos na Câmara, 12 deputados estaduais do PL na Assembleia e Sanderson no Senado, além de aliados eleitos por outras legendas. Isso não transforma a bancada federal em extensão automática do futuro governo estadual — deputados respondem também às suas próprias bases, partidos e agendas —, mas amplia de forma objetiva o peso do campo político que saiu fortalecido da eleição de 2026.
Deputados federais eleitos por bancada
PL — 8
- Maurício Marcon — 379.834 votos
- Giovani Cherini — 234.171
- Osmar Terra — 116.647
- Marcelo Moraes — 103.292
- Jessé Sangalli — 94.625
- Diogo Siqueira — 93.067
- Bibo Nunes — 74.207
- Perondi — 73.974
PT — 5
- Maria do Rosário — 173.788
- Bohn Gass — 111.196
- Denise Pessôa — 100.893
- Marcon — 99.566
- Valdeci Oliveira — 93.419
PP — 4
- Afonso Hamm — 152.762
- Any Ortiz — 151.433
- Pedro Westphalen — 128.095
- Covatti Filho — 123.360
MDB — 3
- Alceu Moreira — 217.208
- Juvir Costella — 77.933
- Vilmar Zanchin — 40.406
Podemos — 2
- Rony Gabriel — 223.643
- Sergio Zambiasi — 44.929
PSD — 2
- Danrlei — 105.079
- Lucas Redecker — 99.817
Republicanos — 2
- Gustavo Victorino — 94.428
- Carlos Gomes — 82.245
PSOL — 1
- Fernanda Melchionna — 280.262
PCdoB — 1
- Daiana Santos — 114.315
Novo — 1
- Felipe Camozzato — 85.167
PDT — 1
- Pompeo de Mattos — 83.934
União Brasil — 1
- Busato — 60.127
A lista e as votações correspondem à apuração final das 31 vagas do Rio Grande do Sul.

