Inteligência Artificial pode transformar pesquisas eleitorais, afirma Juan Pablo Boeira
Pós-doutor em IA defende uso de modelagem de cenários e análise de grandes volumes de dados para compreender comportamento do eleitorado

A Inteligência Artificial pode alterar profundamente a maneira como pesquisas eleitorais e análises de comportamento político são realizadas. A avaliação é do doutor em Inovação e pós-doutor em Inteligência Artificial Juan Pablo Boeira, que explicou, em entrevista ao Poder RS Inovação, como ferramentas especializadas podem ser utilizadas para construir simulações com amostras muito superiores às tradicionalmente utilizadas pelos institutos de pesquisa.
Segundo Boeira, sistemas de IA permitem trabalhar com modelagem de cenários e simulações envolvendo dezenas de milhares de perfis. O especialista relata já ter realizado análises com uma amostra de cerca de 50 mil pessoas, combinando diferentes ferramentas e técnicas. A proposta não é simplesmente reproduzir uma pesquisa tradicional dentro de um chatbot, mas utilizar sistemas especializados para identificar padrões e projetar diferentes possibilidades de comportamento eleitoral.
Uma das principais diferenças, segundo ele, está na quantidade e na variedade das informações que podem ser consideradas. Enquanto pesquisas convencionais dependem das respostas fornecidas diretamente pelos entrevistados, modelos baseados em Inteligência Artificial podem analisar diferentes sinais digitais e comportamentais para construir cenários. Boeira sustenta que essa metodologia pode ampliar a capacidade de identificar tendências que ainda aparecem de maneira discreta nas pesquisas tradicionais.
O especialista ressalva, no entanto, que esses resultados representam cenários e fotografias de determinado momento, e não previsões infalíveis. Mudanças na campanha, novos fatos políticos e alterações no comportamento dos eleitores podem modificar rapidamente as projeções. Ainda assim, Boeira acredita que a Inteligência Artificial tende a ocupar um espaço cada vez maior na análise eleitoral ao permitir cruzamentos de dados e simulações em escala antes inviável.

