Inteligência Artificial

Renda universal pode ganhar força com avanço da IA e dos robôs, projeta Juan Pablo Boeira

Especialista avalia que redução dos empregos pode obrigar empresas e governos a discutir novos mecanismos para manter renda e consumo

Juan Pablo Boeira é doutor em Inovação e pós-doutor em Inteligência Artificial

O avanço da Inteligência Artificial e da automação poderá colocar novamente no centro do debate mundial a criação de mecanismos de renda universal. A avaliação foi apresentada pelo doutor em Inovação e pós-doutor em Inteligência Artificial Juan Pablo Boeira durante entrevista ao Poder RS Inovação. Para ele, caso a tecnologia reduza de forma significativa a quantidade de empregos disponíveis, será necessário encontrar novas formas de garantir renda à população e, ao mesmo tempo, preservar o funcionamento da economia.

Boeira trabalha com um cenário no qual as próprias empresas poderiam financiar parte desse sistema. Em vez de direcionarem determinados recursos exclusivamente para publicidade e marketing, companhias poderiam utilizar parte desse orçamento para transferir valores diretamente aos consumidores, garantindo capacidade de compra. O especialista compara o mecanismo a uma evolução dos atuais programas de cashback.

Durante a entrevista, Boeira também mencionou estudos e projeções que discutem modelos de renda distribuída por meio de tokens digitais com validade determinada. Nesse cenário, os recursos precisariam ser utilizados dentro de determinado período, estimulando o consumo e evitando a acumulação do valor recebido. O próprio especialista reconhece que um sistema dessa natureza abriria uma discussão importante sobre a relação entre segurança financeira, patrimônio e liberdade individual.

O estudo “AI 2040: Plan A, do AI Futures Project” imagina uma economia profundamente automatizada, na qual milhões de agentes de IA assumem grande parte do trabalho hoje realizado por humanos. Nesse cenário, receitas ligadas à infraestrutura e à capacidade computacional seriam redistribuídas por meio de um “dividendo do cidadão”.

A simulação chega a números extraordinários: aproximadamente US$ 45 mil por adulto americano em 2032, US$ 1 milhão ao ano em 2035 e até US$ 10 milhões em 2040. Não se trata de uma previsão garantida, mas de um cenário construído para discutir como distribuir a riqueza caso a IA substitua grande parte do trabalho humano.

A hipótese está diretamente ligada à previsão de Boeira de que robôs e sistemas inteligentes assumirão uma parcela crescente das atividades atualmente realizadas por seres humanos. Para ele, a questão deixa de ser apenas tecnológica e passa a envolver economia, filosofia, sustentabilidade e organização social. O desafio será encontrar um modelo capaz de aproveitar os ganhos de produtividade proporcionados pela IA sem transformar grande parte da população em economicamente irrelevante.

Veja o programa completo abaixo.

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