Terra Forte quer chegar a 15 mil agricultores familiares no RS
Gustavo Paim diz que primeiros levantamentos mostram 80% das áreas de grãos analisadas em nível precário de manejo; programa prevê até R$ 30 mil por propriedade
O programa Terra Forte pretende alcançar 15 mil agricultores familiares no Rio Grande do Sul com ações voltadas à recuperação e ao manejo do solo. A meta foi apresentada pelo secretário estadual de Desenvolvimento Rural, Gustavo Paim, em entrevista ao Poder RS durante a Expointer 2026.
Paim definiu o Terra Forte como o maior programa de manejo de solo da história do Estado. A execução envolve a Secretaria de Desenvolvimento Rural e técnicos da Emater, responsáveis pelo trabalho de assistência e extensão junto às propriedades.
Os primeiros resultados envolvem cerca de cinco mil agricultores e revelaram um quadro preocupante. Segundo o secretário, nas culturas de grãos, 80% das glebas analisadas estão no nível I de manejo, considerado precário.
O problema aumenta a vulnerabilidade das propriedades tanto à falta quanto ao excesso de chuva. Paim explicou que solos compactados têm dificuldade para absorver água e, durante chuvas intensas, podem sofrer perda de solo. Na estiagem, por outro lado, apresentam baixa capacidade de armazenamento de água.
Até R$ 30 mil para manejo do solo
O Terra Forte prevê análise do solo e acompanhamento técnico para identificar as necessidades específicas de cada propriedade.
A partir desse diagnóstico, é elaborado um plano individualizado de ação. O agricultor recebe um cartão de até R$ 30 mil para comprar os insumos necessários e executar as intervenções recomendadas.
Entre as necessidades identificadas estão adubação, fertilizantes, calcário e outros minerais, além de técnicas de manejo definidas pelos profissionais responsáveis pelo acompanhamento.
Paim relatou casos em que intervenções já permitiram armazenar a água da chuva e evitar que o solo fosse carregado, enquanto propriedades vizinhas sem o mesmo manejo sofreram danos. Para o secretário, esses exemplos podem produzir um efeito multiplicador entre os agricultores.
Resiliência climática
Embora tenha relação direta com a reconstrução das áreas atingidas pelas enchentes, o Terra Forte é aplicado em todo o Rio Grande do Sul.
Segundo Paim, diferentes regiões enfrentaram impactos distintos: enquanto áreas da Serra registraram deslizamentos, municípios do Vale do Taquari sofreram com a força das águas, e a Região Metropolitana enfrentou inundações provocadas pela elevação dos rios.
O secretário relacionou a recuperação do solo à necessidade de aumentar a resiliência climática da produção rural.
Na avaliação de Paim, ampliar significativamente a irrigação de culturas como a soja exigiria dezenas de bilhões de reais. Por isso, melhorar a capacidade do próprio solo de absorver e armazenar a chuva é outra frente para reduzir os efeitos das estiagens.
“A pouca chuva que cai ou que cai de maneira não uniforme precisa ser armazenada no solo.”
Segundo ele, esse é um dos objetivos do Terra Forte: preparar o solo para armazenar água e enfrentar melhor os períodos de escassez hídrica.

